quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DUAS SÍLABAS


Uma vez que o afeto se instala
no pequeno beco dos fundos
ele cresce sem respiro
sem o ar dos semelhantes
e não espera algo mais
ou qualquer algo.

Apenas a voz da gentileza
é capaz de abrir todos os ramos do bem.
Somente uma pequena doçura
que por mais incrédula
seja única em uma geração
faz o mundo desabar em céus azuis
em luas cheias e em ondas claras,
além das palavras que o sujeito pensa
(surreal nas maneiras de hoje).

Não por mim mesmo,
mas pelo bem dos meus próximos ou distantes,
que todos sejam próximos.
É o que tua voz deseja.
E não é necessário mais do que duas sílabas,
tão simples.

Duas sílabas da tua voz
para que o mundo seja um só!
Que se perpetue tua ternura entre nós.
Mas disso eu sei: quero outras de você
para outros de mim...

Pois, pêndulo me é conveniente,
o ciclo do bombear dos meus passos
faz minha locomoção,
mas, estático é meu coração
sem vida nesse planeta
no espaço em algum lugar
sem o cantar do teu dizer sincero.

Sobre a natureza é tua doçura
e já não resta escrita para representá-la
ou de alguma forma descrevê-la.
É a invenção do sentido do corpo
e do envelhecer da eternidade.

Tão pouco te ouvi,
apenas duas sílabas da tua voz.
E sobre elas
tanto sei o que dizer.

FOdA.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A FLOR DA ÁRVORE


A vida nova
é a flor da árvore,
que cai no copo
e provoca a reação
de quem respira
há décadas.

E o som que ouve
a vida nova
é a piada de meu amigo,
barbudo...
É a graça do sorriso
e do novo amor.

A pequenina vida
brilha ao parir do choro,
no primeiro esforço
da respiração.

Abraça e beija o pai,
que junto se aconchega.
No colo, nas mãos suaves,
da morena que sorri.

E o ar se retém
no interior dos três.
É a mágica poção
das boas vindas.

FOdA.