quarta-feira, 24 de novembro de 2010
ALVA DO MEU QUERER
Abres, meu bem.
Colocas o peito ao sol.
Queimas, o leito da pele nua.
Pulmão arqueado,
o suave momento da sobra tua.
Orbitas, alva do meu querer.
Tu és a lua.
FOdA.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O DIA QUE AVANÇA
O dia que avança
parece tudo certo -
teoriza -
imagina o vento perto.
Bate a asa
brisa, se vicia.
Explode e enlouquece.
Ama
continua
respira.
Parafusa
e poesia.
FOdA.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
IMAGINÁRIOS
Aqui sente-se a vida conectada.
Esse é o momento do planeta.
Quem nos dera fosse sempre assim,
perene.
Se a existência se resumisse ao agora
seríamos todo o êxtase.
E a fase seguinte?
Declaro que ela seja
apenas o mais simples.
Enquanto o ar teimar em florescer
essa alucinação,
essa perfeita conexão.
Enquanto houver a face lisa e saudável
de nosso irmão,
declaro o desejo de que sejamos
apenas o imaginário!
FOdA.
quinta-feira, 25 de março de 2010
O FUNDAMENTAL
Sabe da formalidade do caderno aberto
das linhas retas da cabeça do poeta?
Sabe o esvaziar do copo da bebida,
na medida em que os pensamentos escapam
e que as frases se formam
procurando o vagar dos sentimentos?
Sabe quando o barulho dos cegos
guiados em plena reta
penetra na porta aberta dos sentidos
na pouca luz
na penumbra da tua casa?
Sabe que o sossego da vida
pena a se estabelecer
quando há muita voz que deveria ser silêncio?
Isso tudo não se pode ignorar.
FOdA.
GURI
Nessa vida juvenil
que o guri vive de presente
veste roupas leves,
diariamente.
Respira o ar da relva com frequência,
repetidamente.
E no intervalo entre fotos
passeia longe na escuridão
da beleza inesquecível das cores
revelada a cada instante
por trás da pele de seus olhos.
FOdA.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
PEDRAS E PEDREGULHOS
Há pedras e pedregulhos
terreno acidentado e o aclive
e a vida se contorna
no movimento de cada passo
na mira da intenção
de entrarmos com a sola no chão
do espaço.
FOdA.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
GRITO DE CARNAVAL
Vejo um pedaçinho do mundo
barulhento em minha frente
como se fosse o único
vivendo em movimento frenético.
Mas o amortecer do meu corpo
sabe das outras localizações
onde o silêncio reina calado e incógnito
e onde vivo e morro
pela telepatia que me coube ao nascer.
O meu grito de carnaval é o desejo
desse silêncio distante do desfilar.
FOdA.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
ROUCAMENTE
Morena
de paixão secular
acorda o lembrar
revive
simplesmente.
Canta
as cordas de nylon
conforme
chama a onda.
Sorri
o som do encontro
roucamente
soa
o acorde louco.
FOdA.
MEUS CHEGADOS
Terra estranha essa
a poucos metros do meu portão,
ao túnel que me vou transfere todas as feições
nem mais sei o que sou.
Só sei da paixão do meu clichê recorrente
respirando de forma não contínua
abraçando os chegados que me querem
a quem recebo afetuosamente
na minha inocência inventada.
FOdA.
para: Carolina Araujo
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
POEMA DE PRIMEIRO DE JANEIRO
O contrair do músculo
é uma vida pequena
que nasce e se multiplica
em batidas serenas...
como o ano que termina
para outro todo ano
desde quando inventaram
esse vento chamado tempo.
E o relógio na parede
é de inutilidade
perdendo a contagem das voltas
somos gente sem idade…
gente que brinda a passagem
do sem ano para outro
dos ânimos que dobramos
claramente dessa vez
agora que não sabemos
para que lado no vento sopramos.
FOdA.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
SAÚDE DE LOUCO
Há quanto tempo minha voz se congelou
por estar recluso,
me recompondo das intempéries das ocasiões.
Quando me descubro hoje
dormente da falta de mim mesmo,
prestes a sentir o vulto da tua insanidade,
da tua imagem que me mantém contente
e que alimenta essa saúde de louco.
Minha bela saúde de louco!
FOdA.
para: Larissa Landim
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